Nossa História

Somos federados à Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) e, a nossa origem encontra-se nas reformas protestantes suíça e escocesa, no século XVI, lideradas por personagens como Ulrico Zuínglio, João Calvino e João Knox. Por sua vez, no Brasil, ela está ligada a chegada do missionário americano Ashbel Green Simonton (1833-1867), em 12 de agosto de 1859.
A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) é a maior e mais antiga denominação reformada do país. Atualmente, somos cerca de 1 milhão de presbiterianos, espalhados por todos os Estados do Brasil, com mais de 5000 Igrejas e congregações locais.

Início do presbiterianismo

As origens históricas do presbiterianismo remontam aos primórdios da Reforma Protestante do século XVI, iniciadas por Martinho Lutero (1483-1546) em 1517, na Alemanha. Na Suíça, sob a direção de Ulrico Zuínglio (1484-1531), a Reforma foi mais profunda em sua ruptura com a Igreja medieval e em seu retorno às Escrituras (Segunda Reforma ou Reforma Suíça). Por isso, a partir da Suíça, os adeptos desse movimento ficaram conhecidos como “reformados”.
Após a morte de Zuínglio (1531), surgiu um líder que se destacou dos demais por sua inteligência, dotes literários, capacidade de organização e profundidade teológica. Esse líder foi o francês João Calvino (1509-1564), que concentrou os seus esforços na cidade suíça de Genebra, onde residiu durante 25 anos. Por meio de sua obra magna, a “Instituição da Religião Cristã” ou “Institutas”, comentários bíblicos, cartas, tratados e outros escritos, Calvino, à luz das Escrituras Sagradas, lançou as bases teológicas e organizacionais sobre as quais o presbiterianismo foi construído, por isso, Calvino é considerado o pai do Presbiterianismo mundial.

João Calvino

O pai do presbiterianismo
João Calvino nasceu em 10 de julho de 1509, em Noyon, França e morreu em 27 de maio de 1564, em Genebra, Suíça. Calvino, como ficou conhecido, destacou-se como figura predominante da Reforma e, além de Genebra, sua influência se estendeu à Inglaterra, Escócia e América do Norte.
Calvino teve sua experiência de conversão à fé evangélica em 1533. Pouco depois, começou a escrever a sua obra magna, as “Institutas”, publicada em Basiléia em 1536, passando por sucessivas revisões e edições, tanto em francês quanto em latim. Ainda em 1533, de maneira totalmente inesperada, Calvino viu-se convocado a auxiliar na consolidação da fé reformada na cidade de Genebra. Após um interregno de três anos em Estrasburgo (1538-1541), o reformador retornou à cidade suíça e ali permaneceu até o final da sua vida.
Em 1559, ele fundou a Academia de Genebra, o que colaborou decisivamente para a formação de uma nova geração de líderes reformados. Calvino organizou uma Igreja que deveria ser liderada por um conselho, formado por pastores e anciãos fiéis às Escrituras Sagradas. Suas ideias difundiram-se com rapidez: Teodoro de Beza, que dirigia a Academia em Genebra, levou-as para Gênova, na Itália. Rapidamente, também, alcançaram a França, a Holanda e a Inglaterra (onde o calvinismo foi denominado de puritanismo). Na Escócia, o calvinismo foi difundido por João Knox (1514-1572), discípulo direto de Calvino, onde passou a ser chamado de Presbiterianismo. Aliás, o nome “Presbiteriano” vem da maneira como a Igreja é administrada, ou seja, por meio de “presbíteros” eleitos, democraticamente, pelas comunidades locais. Devido à influência de João Calvino na forma de governo e no sistema doutrinário das Igrejas reformadas, os presbiterianos também são chamados de “calvinistas”.

O Presbiterianismo no mundo

Em poucos anos, a fé reformada fincou sólidas raízes no sul da Alemanha (Estrasburgo, Heidelberg), na França, nos Países Baixos (hoje, Holanda e Bélgica) e nas Ilhas Britânicas, particularmente, na Escócia, onde o parlamento adotou o presbiterianismo como religião oficial em 1560.
Na Inglaterra e na Escócia dos séculos XVI e XVII, o presbiterianismo representou uma posição tanto teológica quanto política. Foi nesse período que, em meio a uma guerra civil, o parlamento inglês convocou um concílio que ficou conhecido como Assembleia de Westminster (1643-1649), em que foram elaborados os documentos confessionais mais amplamente aceitos pelos presbiterianos ao redor do mundo: a Confissão de Fé de Westminster e seus Catecismos, Maior e Breve.
Nos séculos XVII e XVIII, milhares de puritanos calvinistas emigraram para as colônias inglesas na América do Norte. Muitos deles abraçavam a teologia de Calvino, mas não a forma de governo eclesiástico presbiteral proposta por ele. Foi o caso dos que se estabeleceram na Nova Inglaterra. Ao mesmo tempo, as colônias norte-americanas também receberam muitas famílias presbiterianas vindas da Escócia e do norte da Irlanda. Estas fundaram a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos e o seu primeiro concílio, o Presbitério de Filadélfia, que foi organizado em 1706 sob a liderança do Rev. Francis Makemie, considerado o “pai do presbiterianismo norte-americano”.
Muitos presbiterianos escoceses foram diretamente da Escócia para os Estados Unidos nos primeiros tempos da colonização. Contudo, foram os escoceses-irlandeses os principais responsáveis pela introdução do presbiterianismo nos EUA. Durante o século XVIII, pelo menos 300 mil escoceses-irlandeses, cruzaram o Atlântico e se radicaram, principalmente, em Nova Jersey, Pensilvânia, Maryland, Virgínia e nas Carolinas. Fundaram Pittsburgh no oeste da Pensilvânia, por muito tempo a cidade mais presbiteriana dos EUA. O Rev. Ashbel Green Simonton, o pioneiro do presbiterianismo no Brasil, era descendente desses escoceses-irlandeses da Pensilvânia.

O presbiterianismo no Brasil

Atualmente, existem no Brasil várias denominações de origem reformada ou calvinista, no entanto, a maior e mais antiga é a Igreja Presbiteriana do Brasil. Também é importante lembrar que, já nas primeiras décadas da história do Brasil, houve a presença de calvinistas em nosso país. Estes acompanhavam as incursões colonizadoras no território do Novo Mundo, especificamente da França e Holanda.

Calvinistas Franceses

(França Antártica)
Os primeiros calvinistas chegaram ao Brasil ainda no começo da sua história. No final de 1555, um grupo de franceses liderados por Nicolas Durand de Villegaignon instalou-se em uma das ilhas da baía de Guanabara. Um ano e meio mais tarde, chegava à “França Antártica” um grupo de colonos e pastores reformados enviados pelo próprio João Calvino, em resposta a um pedido de Villegaignon. No dia 10 de março de 1557, esses evangélicos realizaram o primeiro culto protestante do Brasil e, possivelmente, do Novo Mundo (continente americano). Com a ascensão católica ao poder na França, Villegaignon, aqui na “França Antártica”, passou a perseguir os huguenotes (como os calvinistas franceses eram conhecidos). O resultado da perseguição foi a fuga e o martírio de muitos protestantes calvinistas, sendo um deles, Jacques le Baleur, que reafirmou sua fé numa declaração doutrinária que ficou conhecida como “Confissão de Fé da Guanabara”.

Calvinistas Holandeses

(Ocupação holandesa)
Outro momento em que houve a presença protestante no Brasil ocorreu em meados do século XVII, quando os holandeses ocuparam o nordeste brasileiro por vinte e quatro anos (1630-1654). O mais famoso governante do “Brasil holandês” foi o príncipe João Maurício de Nassau-Siegen, que aqui esteve apenas sete anos (1637-1644). A Igreja oficial da colônia era a Igreja Reformada da Holanda, que realizou uma grande obra pastoral e missionária. Ao longo dos anos, foram organizadas 22 Igrejas e congregações, dois presbitérios (Pernambuco e Paraíba) e até mesmo um sínodo, o Sínodo do Brasil (1642-1646). Ao lado da pregação e ensino, houve um grande trabalho de assistência social, inclusive, entre os indígenas. Com a expulsão dos holandeses, as Igrejas nativas vieram a extinguir-se e por um século e meio desapareceram os vestígios do calvinismo no Brasil.

Calvinistas Americanos

As guerras napoleônicas na Europa e a vinda da família real portuguesa para o Brasil influenciaram no cenário religioso local. Após quase três séculos sem nenhuma presença protestante no Brasil Colonial, o Rei D. João VI assinou com a Inglaterra tratados que abriram os portos às nações amigas. Este acordo, comercial e político, permitiu a entrada de protestantes em solo brasileiro e a liberdade de culto. Contudo, o catolicismo ainda continuaria a ser a religião oficial do país, o que ocorreu até a Proclamação da República em 1889.
Foi nesse período que ocorreu, em definitivo, o estabelecimento do presbiterianismo no Brasil, resultante do pioneirismo e desprendimento do Rev. Ashbel Green Simonton (1833-1867). Nascido em West Hanover, na Pensilvânia, foi influenciado pelos grandes avivamentos do século XIX (1855). Pouco tempo depois de fazer a sua profissão de fé, ingressou no Seminário de Princeton. Três anos depois, candidatou-se perante a Junta de Missões da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, citando o Brasil como campo de sua preferência. Dois meses após a sua ordenação, embarcou para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1859, aos 26 anos de idade.
Em abril de 1860, Simonton dirigiu o seu primeiro culto em português. Em janeiro de 1862, recebeu os primeiros conversos, sendo fundada a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. No breve período em que viveu no Brasil, Simonton, auxiliado por alguns colegas, fundou o primeiro periódico evangélico do país (Imprensa Evangélica, 1864), criou o Presbitério (o Presbitério do Rio de Janeiro, 1865) e organizou um seminário (1867). O Rev. Ashbel Green Simonton morreu vitimado pela febre amarela aos 34 anos, em 1867 (sua esposa, Helen Murdoch, havia falecido três anos antes).
Os principais colaboradores de Simonton nesse período foram seu cunhado Rev. Alexander L. Blackford, que em 1865 organizou as Igrejas de São Paulo e Brotas; Rev. Francis J. C. Schneider, que trabalhou entre os imigrantes alemães em Rio Claro, lecionou no seminário do Rio e foi missionário na Bahia; e Rev. George W. Chamberlain, grande evangelista e operoso pastor da Igreja de São Paulo (fundador do Mackenzie em São Paulo, em 1870).
Outras poucas Igrejas organizadas no primeiro decênio foram as de Lorena-SP, Borda da Mata (Pouso Alegre-MG) e Sorocaba-SP. O homem que mais contribuiu para a criação dessas e outras Igrejas foi o notável Rev. José Manoel da Conceição (1822-1873), um ex-sacerdote católico romano que se tornou o primeiro brasileiro a ser ordenado ministro do evangelho (17/12/1865).

Outras denominações presbiterianas no Brasil

Ao longo do século XX, surgiram outras Igrejas congêneres que também se consideram herdeiras da tradição calvinista. São as seguintes, por ordem cronológica de organização: Igreja Presbiteriana Independente do Brasil – IPIB (1903), com sede em São Paulo; Igreja Presbiteriana Conservadora – IPC (1940), com sede em São Paulo; Igreja Presbiteriana Fundamentalista – IPF (1956), com sede em Recife; Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil – IPRB (1975), com sede em Arapongas, Paraná, e Igreja Presbiteriana Unida do Brasil – IPUB (1978), com sede no Rio de Janeiro.
Contudo, a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) é a maior e mais antiga denominação reformada do país.
Você poderá aprofundar seus conhecimentos sobre a história do Presbiterianismo pelos sites: www.ipb.org.br/quem_somos/historia.php3 e www.ipcuiaba.org.br/portal/.

O Presbiterianismo em Cuiabá

Como pioneiros do presbiterianismo em terras mato-grossenses, destacam-se os nomes do Rev. Franklin Grahan (1913), Sr. João Dias e sua família e a do Rev. Philippe Landes. João Dias foi um dos principais responsáveis pela implantação, em definitivo, da primeira Igreja evangélica na capital. Sua casa, seus esforços, sua família e seus recursos, foram decisivos para a efetivação e crescimento da obra evangélica em Cuiabá. Porém, a consolidação do presbiterianismo em Cuiabá se deu com a chegada do Rev. Philippe Landes, em 15 de agosto de 1915. Três anos depois é a vez de se juntar ao grupo o Rev. Adan Martin e sua esposa.
A Igreja Presbiteriana de Cuiabá foi organizada oficialmente em 12 de outubro de 1920 e lançou a pedra fundamental do seu templo, na Rua 13 de junho, no centro da cidade, em 07 de setembro de 1921. A partir de então o trabalho solidificou-se, tornando-se um polo irradiador para a difusão da mensagem evangélica a diversos pontos do Estado de Mato Grosso, sendo a responsável pela fundação e organização de outras Igrejas, dentro e fora de Cuiabá, fazendo história ao longo do seu quase um século de existência.
Muitos foram os que trabalharam na “Central”, como assim ficou popularmente conhecida a Igreja Presbiteriana de Cuiabá, tendo em sua direção os seguintes pastores (titulares), reverendos: Philippe Landes, Adan Martin, Rodolfo Anders, Juvenal Batista, Augusto Araújo, Jerônimo Rocha, Eudes Ferrer, Aristóteles Ferreira da Fonseca, Walter Moura, Sérgio Paulo Ribeiro Lyra, José de Brito Cabral, Uedson Souza Vieira e, desde 2010, o Rev. Marcos Antônio Serjo da Costa vem liderando a IPC em total submissão à Jesus Cristo, o Senhor da Igreja.